sábado, 20 de outubro de 2012

Monografia: A necessidade da filosofia de DESCARTES


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA
 
 
 
 
 
 
 
ADEMILSON MARQUES DE OLIVEIRA
 
 
 
 
 

A NECESSIDADE DA FILOSOFIA DE RENÉ DESCARTES:

MÉTODO CARTESIANO

 
 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA, DF
2011



ADEMILSON MARQUES DE OLIVEIRA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A NECESSIDADE DA FILOSOFIA DE RENÉ DESCARTES:

MÉTODO CARTESIANO

 
 
Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Filosofia apresentado à Universidade Católica de Brasilia, como requisito parcial para obtenção do título de Graduado, sob orientação da prof.(a) Rochelle Cisne Frota de Abreu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA, DF
2011
 
 
 
ADEMILSON MARQUES DE OLIVEIRA
 
 
 
 
 
 
 
 

A NECESSIDADE DA FILOSOFIA DE RENÉ DESCARTES:

MÉTODO CARTESIANO

 
 
Monografia apresentada à Universidade Católica de Brasília como requisito parcial para aprovação.
 
 
 
 
Avaliado em___ de ___________ de 2011.
 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA
 
 
_____________________________
Profª Orientadora: Rochelle Cisne Frota de Abreu.
 
 
_________________________________
Banca Examinadora
 
 
_________________________________
Banca Examinadora
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS
 
 
 
Agradeço à Deus por tudo o que tenho e o que sou. Agradeço aos meus familiares, especialmente meus pais. Agradeço aos professores pela sabedoria passada a cada dia em que estivemos juntos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho a todos que contribuíram de forma direta e indireta para o nosso sucesso.
 
 
 
 

 
“O bom senso é o que existe mais bem dividido no mundo, pois cada um se julga tão bem dotado dele que, ainda os mais difíceis de serem satisfeitos em outras coisas, não costumam querê-lo mais do que o que têm”.
 
 
 
René Descartes – O Discurso sobre o Método
 
 
 
 
RESUMO
 
O tema dessa monografia é “Demarcação do Método Cartesiano”. A problemática formulada foi: Qual é a importância da demarcação do método cartesiano? O objetivo desse trabalho é demonstrar a importância de Descartes para o pensamento atual. Justifica-se este trabalho pela importância de Descartes para a nossa sociedade atual, desde a máximaPenso, logo existo! as coordenadas cartesianas, além das muitas contribuições para a filosofia e Matemática. Para este trabalho optou-se em uma metodologia de pesquisa bibliográfica, com base em livros, artigos, monografias, dissertações, teses, jornais e revistas que versam sobre o assunto. Concluiu-se que a demarcação do método cartesiano trouxe uma grande evolução para a história da humanidade.
                                                                                                              
 
PALAVRAS-CHAVE: Demarcação; Método Cartesiano; Descartes.
 
 
 
ABSTRACT
 
The theme of this monograph is "Demarcation of the Cartesian method." The issue was raised: What is the importance of the demarcation of the Cartesian method? The aim of this paper is to demonstrate the importance of Descartes to the present thinking. This work is justified by the importance of Descartes to our society today, from the maxim "I think therefore I exist!" Cartesian coordinates, in addition to many contributions to philosophy and mathematics. For this work we decided on a methodology of literature search, based on books, articles, monographs, dissertations, theses, newspapers and magazines that deal with the subject. It was concluded that the demarcation of the Cartesian method has brought a major evolution in the history of mankind.
 
Keywords: Demarcation; Cartesian method; Descartes.
 
 

SUMÁRIO
 
CAPÍTULO 1 - DISCURSO DO MÉTODO 11
CAPÍTULO 2 – ANÁLISE DAS REGRAS DO DISCURSO DO MÉTODO ......27.
2.1 - CONSIDERAÇÕES ATINENTES ÁS CIÊNCIAS..................................... 27
2.2 -     ANÁLISE DOS PRINCIPAIS PRECEITOS DO MÉTODO................... 29
2.4 - A PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA METAFÍSICA.................................................................................................... 32
2.6 - OS FATOS NECESSÁRIOS PARA AVANÇAR MAIS ADIANTE DO QUE FOI NA PESQUISA DA NATUREZA................................................................ 39
CAPÍTULO 3 - A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CARTESIANO PARA À ATUALIDADE................................................................................................... 41
CONCLUSÃO................................................................................................... 50
REFERÊNCIAS................................................................................................ 52
 


INTRODUÇÃO


 

 

René Descartes, filósofo, cientista e matemático, realizou diversas descobertas para a humanidade. Apesar da vida intelectual relativamente curta, trouxe uma série de benefícios para o campo da Filosofia e das Ciências Naturais e contribuiu para a Física, a Matemática, a Óptica, a Meteorologia e a Fisiologia.

Descartes proporcionou um dos grandes benefícios para a filosofia moderna. Foram os estudos na metafísica, considerada uma das mais duradouras de suas realizações intelectuais.

Ele conseguiu resultados fantásticos, tanto na ciência natural, quanto na matemática pura. Isto com a demarcação de seu método.

O tema dessa monografia formula-se o seguinte questão problema: “Qual é a importância da demarcação do método cartesiano?”.

Justifica-se este trabalho pela importância de Descartes para a sociedade atual. Isto desde a máximaPenso, logo existo”, as coordenadas cartesianas e além das muitas contribuições para a filosofia e Matemática.

Essa pesquisa é de relevância para todos da área de Filosofia e que querem construir uma análise de Descartes de forma integral.

Para este trabalho optou-se em uma metodologia de pesquisa bibliográfica; com base em: livros, artigos, monografias, dissertações, teses, jornais e revistas que versam sobre o assunto.

Após uma leitura do material, foi feito um fichamento com os textos destacados e posteriormente foi realizada uma comparação entre os diversos autores. Finalmente, foi construído um texto embasado nesses artigos.

Como o tema é bastante rico em informações, priorizaram-se aquelas que mais identificavam com a linha de pesquisa do tema adotado para o trabalho.

 

CAPÍTULO 1: DISCURSO DO MÉTODO

 

No final do Renascimento, no século XVII, a Europa passa por profundas transformações, um período em que se desenvolve uma crítica amadurecida ao período metafísico escolástico que se baseava na transcendência em busca de explicações.

Ao mesmo tempo em que Descartes era testemunha da crítica que se fazia a escolástica. Aconteceu um encontro na Nunciatura Apostólica[1] em Paris, onde o padre Marino Mercenne, considerado o “Secretário da Europa douta”, e o cardeal Pierre de Bérulle, solicitaram para que Ele construísse uma filosofia nova, uma filosofia que na opinião do cardeal de Paris fechasse a boca dos livres pensadores que estavam criticando a escolástica.  Foi isso que motivou a Descartes a estabelecer uma nova filosofia. E ao mesmo tempo libertar a filosofia de todos aqueles embaraços que a escolástica trazia como herança da Idade Média. 

Descartes passou então a construir uma filosofia em busca da verdade. As perguntas de Descartes foram: Onde está a verdade? Existe um conhecimento verdadeiro? Para buscar as respostas, Descartes colocou tudo em dúvida; não importando de onde e de quem viessem o conhecimento. Para ele tudo deveria ser passível de dúvida. Pois os sentidos podem nos enganar.

Para Descartes, os agentes do conhecimento, precisam do entendimento e este entendimento será auxiliado por outras fontes; a saber: a imaginação, os sentidos e a memória. Diante disto pergunta-se: Os sentidos são fontes de erro ou de conhecimento?

Logo, se os sentidos forem realmente fonte de erro e engano como afirma o autor. Como se pode adquirir conhecimento por meio do entendimento que é auxiliado pelos mesmos sentidos? A regra XV de Descartes, diz que: “É útil também, quase sempre, traçar estas figuras e apresentá-las aos sentidos externos, para que, por este meio, seja mais fácil conservar atento nosso pensamento” (DESCARTES, 2008, p. 131 apud Silva, 2009, p. 102).

 

Descartes chega a conclusão de que existe uma coisa que se pode ter certeza. Todavia, relacionando a questão da certeza subjetiva com a verdade em Descartes também, vê-se que:

 

A subjetividade expressa pelo eu pensante tornou-se o novo ponto de partida da filosofia. Posto isso, podemos dizer que a partir de Descartes a estrutura da subjetividade passa a ser o elemento fundamental da razão, no sentido de ser o seu próprio sentido de fundamentação. Essa subjetividade apresenta-se claramente em Descartes através da estrutura do cogito (eu penso).Isso proporcionou uma mudança muito grande, não só em filosofia, mas também em todas as áreas do saber humano.Encontramos, portanto, na filosofia de Descartes uma nova maneira de fundamentar o conhecimento. Desta forma acontece a revolução do pensamento da Idade Moderna: o homem é colocado como centro e agente do pensamento,. Assim sendo, a filosofia volta-se para a subjetividade pensante.A totalidade do real, agora, é o próprio homem, ou seja, a filosofia torna-se antropocêntrica.Sem sombra de dúvidas, esta mudança radical possuiu como protagonista principal, René Descartes (MAURIZ, 2008, p.1).

 

 

A questão da subjetividade na modernidade e dentro da teoria do conhecimento significa, portanto, este voltar de olhos para dentro do indivíduo, especificamente para a capacidade do indivíduo de pensar, raciocinar, elaborar hipóteses e teorias, tanto para explicar os fenômenos como para fazer com que aconteçam. Esta subjetividade não tem, portanto, nenhuma relação com sentimentos ou emoções de um indivíduo. A subjetividade na modernidade gerou o termo individualismo epistemológico, ou seja, o individualismo que se refere ao conhecimento e não à ética ou à política.

 

De tal modo, que a passagem da certeza sobre a existência do pensamento (res cogitans) para a certeza sobre a existência do mundo físico (res extensa) pressupõe um apoio em Deus (res infinita), intermediário entre duas certezas: a de que sou uma coisa que pensa e a de que tenho de fato um corpo.

 

 

Descartes (1999b) afirma a existência de Deus como substância infinita; afinal, eu, que sou finito, não teria a idéia de uma substância infinita, “se ela não tivesse sido colocada em mim por alguma substância que fosse de fato infinita” Descartes parte, portanto, de uma certeza, que quer provar pela dúvida metódica: a da natureza perfeita e divina da razão, da natureza reta do pensamento. Continuando a tradição platônica, Descartes concebe o mundo físico como uma efetivação “deformada” de um modelo ideal de universo, apenas alcançável pelo puro intelecto. Para Descartes (1999b), é preciso que Deus seja o autor de sua vida, uma causa que o produza e o preserve, pois uma substância, “para ser preservada em todos os instantes de sua duração, precisa do mesmo poder e da mesma ação que seriam necessários para produzi-la e criá-la de novo, se ainda não existisse” (RODRIGUES, 2009, p. 281/286).

 

 

 

Compreendeu Descartes que a certeza se mostra no dado conhecido ao mesmo tempo que este se faz conhecer. Enquanto o dado se oferece, traz consigo os elementos que o tornam certeza auto-suficiente.

 

 

O critério da certeza assume assim o caráter de critério intrínseco. Desta sorte os primeiros conhecimentos, dotados deste critério intrínseco, se auto-justificam pela sua própria cristalinidade. Nem seria possível de outro modo; se houvéssemos de tomar um critério extrínseco, por sua vez o critério extrínseco adotado reclamaria outro, fazendo-se uma série infinita. A questão devia, portanto, ser tratada desde logo nos mesmos fundamentos da teoria fundamental do conhecimento. Aprofunda, então, Descartes os motivos que levam à aceitação do dado sempre explícito à evidência. Procurando descobrir que é que há no conhecimento que o torna auto-suficiente no plano da certeza, achou que deveria aceitar, como elementos responsáveis por esta convicção, a clareza e a distinção com que os mesmos dados se oferecem (PAULI, 1997, p.1).

 

 

Entretanto, Descartes não se contenta apenas com o estabelecimento desta verdade, que ele próprio qualifica como evanescente, já que não se a pode assegurar como verdadeira senão na medida em que se a enuncia.

 

 

Realmente, pode ser que a existência seja descontínua, que Deus recrie o universo a cada instante, segundo sua onipotente vontade. Assim, esta verdade não convém aos propósitos cartesianos. É preciso fazer desta verdade primeira o pilar das outras que deverão seguir. Aqui, inicia-se a etapa que chamaremos “pós-cogito”. O que podemos aprender da verdade primeira? — pergunta-se Descartes. Ora, se a realidade de todas as coisas é duvidosa, a minha, que de tudo duvida, não pode sê-lo. De fato, se eu duvido, eu existo. O fato de duvidar seria então a essência de minha existência? Na verdade, não, já que eu posso pensar sem duvidar, mas eu não posso duvidar sem pensar. Portanto, a dúvida não é senão um dos aspectos de meu pensamento, o qual deve, por conseqüência, ser a verdadeira essência do meu ser. Se eu duvido, eu penso. Se eu penso, eu sou. Eis um objeto de conhecimento cujo valor é inalienável: minha existência enquanto pensamento (BULCÃO, 2010, p.1).

 

 

Para Descartes o pensamento pode reduzir-se a idéias ou conceitos, sem que estejam formando juízos. Para outros só há conceitos em juízos.

 

Pergunta subtil é a de saber, se a certeza é percebida expressamente no instante da idéia (1-a operação mental), ou se no instante do juízo (2-a operação mental). Descartes sugere algo neste sentido. Para ele, como para gregos antigos e escolásticos medievais, a verdade é a adequação entre a coisa e a imagem cognoscitiva (ou idéia). A idéia é uma essência objetiva, ou figura, do objeto que se fez conhecer. Mas, o instante totalmente consciente em que a inteligência reconhece a adequação entre a imagem e o objeto, constitui uma percepção à maneira de juízo, o qual afirma ou nega. Entretanto não esteve, ao que parece, atento a este aspecto da percepção da evidência. Nem considerou, que todo o dado é enunciado em forma de juízo, e não de conceito isolado. (PAULI, 1997, p.1).

 

 

 

Descartes tende a reduzir todo o pensamento a idéias (ou intuições). O sistema cartesiano é associacionista, porque as idéias podem existir sem estarem desde logo integradas em juízos e se podem unir sem que formulem juízos.

 

 

 

Também as relações podem ser objeto das idéias, que as podem intuir diretamente. A proporção entre a idéia e o objeto pode ser percebida intuitivamente. Quer seja por intuição, quer por um juízo específico, tal adequação é uma percepção que não se confunde com a percepção do objeto simplesmente.  Há, portanto, dois tempos: um primeiro é o conhecer o objeto, um segundo é o perceber a adequação entre o conhecimento e o objeto conhecido. Neste segundo, a mente vê - diz Descartes, - clara e distintamente a proporção entre a idéia e seu objeto. (PAULI, 1997, p.1).

 

Entretanto, pode-se associar a relação da subjetividade e verdade de Descartes com o cogito que é um princípio de dedução, do qual em Descartes, indica simplesmente a caminhada do intuitivo para novas noções mediante simples ligação de elo (cf. Hamelin - O sistema de Descartes). A cada elo se observará de novo diretamente. Por isso, em última instância, só há conhecimento intuitivos nesta modalidade de dedução.

Não pretende Descartes uma dedução à maneira da que procede por meio de termo médio (silogismo aristotélico). Acredita que podemos reduzir os pensamentos a noções que se concatenam em simples sucessão, a maneira de enumeração dos elementos que se prendem por relações sucessivas.  As conexões entre uma noção e outra se dão por relações diretamente apreendidas. Em última instância, pois, os elementos dedutivos se reduzem também à intuições (PAULI, 1997, p.1).

 

O cogito cartesiano: A consciência, o eu, o sujeito e a razão o pensamento filosófico ocidental moderno construído sobre as bases assentadas por René Descartes (1596-1650) concebe o sujeito a partir da consciência, tomando o “eu” como referencial central para o conhecimento.

 

Conforme Rodrigues o sonho de Descartes é o de unificar todos os conhecimentos humanos, buscando bases seguras sobre as quais estes seriam construídos, como um edifício composto de certezas racionais. Certo de haver um acordo fundamental entre as leis matemáticas e as da natureza, e que caberia ao mesmo, a missão de abrir a via para um conhecimento claro e seguro, pela investigação da teia numérica que constitui a alma do mundo. Portanto, para atingir tal objetivo, Descartes precisaria de um método. Pode parecer paradoxal, a princípio, que o método escolhido para se atingir a certeza incontestável seja exatamente o da dúvida. No entanto, lhe parece impossível vencer a dúvida evitando-a. No Discurso sobre o Método, Descartes (1999a) fica bem esclarecido seus propósitos em relação à utilização metódica da dúvida, ao afirmar que o que pretende com ela é apenas “remover a terra movediça e a areia, para encontrar rocha ou argila” (RODRIGUES, 2009, p. 1). 

 

 

 


Esse trecho evidencia claramente a questão da razão de Descartes em função das descoberta de certeza racional defendida pelo mesmo, assim, Descartes adota o próprio “eu” como campo de batalha entre a certeza e a incerteza, as idéias referentes a objetos físicos como instáveis, incertas, inseguras, das idéias nítidas e estáveis propostas, por exemplo, pela matemática.

 

 

Estas idéias, “claras e distintas”, seriam inatas, pois independeriam das experiências dos sentidos, sendo evidentes ao espírito. Mas o que garante que a elas corresponda algo de real? Para responder, ele tem que ampliar o método da dúvida, tornando-a “hiperbólica”. Passa então a duvidar até mesmo dessas idéias claras e distintas, evidentes ao espírito e propõe, então, a hipótese de um certo gênio maligno enganador, que faria com que o homem errasse sempre que pensasse estar mais certo. Mas, dessa máxima incerteza, Descartes faz brotar uma primeira certeza: “se duvido, penso”; de onde extrai o “eu penso, logo sou” (cogito ergo sum), primeiro princípio de sua filosofia. Mas, afinal, o que é esse “eu”? Trata-se, para Descartes, de uma substância cuja essência consiste apenas no pensar, e que, para existir, não necessita de lugar algum, nem depende de nada material. O “eu” seria, portanto, a alma imaterial, incorpórea. E essa alma, por causa da qual somos o que somos, seria completamente distinta do corpo e, “mesmo que este nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é” (1999a, p. 62). Eis a tese do dualismo de substância, que propõe que o homem é composto de duas substâncias de natureza distinta: de um lado o corpo (res extensa), dotado de materialidade, que pode ser explicado por leis mecânicas e sofre a ação do tempo, sendo, portanto, perecível; e de outro lado a mente, a alma, o espírito (res cogitans), que não sofre ação da natureza, estando isento da degradação e da temporalidade. (RODRIGUES, 2009, p. 75).

 

 

E quando considero que duvido, isto é, que sou uma coisa incompleta e dependente, a idéia de um ser completo e independente, ou seja, de Deus, apresenta-se a meu espírito com igual distinção e clareza; e do simples fato de que essa idéia se encontra em mim, ou que sou ou existo, eu que possuo esta idéia, concluo tão evidentemente a existência de Deus e que a minha depende inteiramente dele em todos os momentos da minha vida, que não penso que o espírito humano possa conhecer algo com maior evidência e certeza (DESCARTES, 1996, p. 297-298).

 

 

O objetivo cartesiano é encontrar uma primeira verdade impondo-se como incontestável certeza. Trata-se de uma dúvida provisória, metódica, voluntária, organizada e sistematizada. Não atingiremos a verdade se antes não pusermos todas as coisas em dúvida. São falsas todas as coisas das quais não podemos duvidar por isso Descartes rejeita todos os dados dos sentidos, pois eles nos enganam, rejeita também os dados da razão, pois nos induzem ao erro. E após duvidar de tudo, descobre a primeira certeza;o pensamento, o qual a existência não pode ser negada, daí a famosa frase de Descartes; "cogito ergo sum" - "penso logo existo". O argumento do cogito o coloca diante do solipsismo, um idealismo radical que significa o isolamento da consciência (interioridade) em relação ao mundo exterior, eis o sentido do solipsismo cartesiano, o isolamento do eu, em relação a tudo mais: ao mundo exterior e ao próprio corpo, que também é um elemento externo. Os solipsismos é resultado da evidência do cogito,uma certeza tão forte que exige critérios tais que não são aplicados a mais nada (EUREKA, 2008, p. 13-14).

 

Dentro do contexto acima não podemos deixar de relacionar a questão do dualismo de Descartes em relação a construção do mundo, para tanto,  o dualismos para melhor compreeensão, podem ser de dois tipos básicos: metafísico e epistemológico.

Metafísico dualismos é admitir duas substâncias, como o mundo e de Deus, ou dois princípios, tais como o bem e o mal, como uma forma de explicar a natureza da realidade. Descartes argumentou um dualismo metafísico entre mente - Pensar substância - e corpo - prorrogado substância. Ele declarou que todos os elementos da realidade são, em última instância uma ou outra dessas duas substâncias heterogêneas. Epistemológica dualismos usar duas substâncias ou princípios, como a consciência e fenômenos ou sujeito e objeto, para analisar o processo sabendo. Em geral, uma epistemológica dualista é que distingue o que é imediatamente apresentar ao perceber mente da retrospectiva determinação do objeto real conhecido (GOTTERBARN, 1930, p.1).

 

 

Conforme menciona Apphiah, Descartes é um dualista, pois acredita que a mente e o corpo são duas espécies de coisas bastante distintas, dois tipos do que ele chama “substância”.

 

 

Em segundo lugar, aquilo que ele pensa que tu és, o teu eu, é a mente. Dado que tu és uma mente, e as mentes são totalmente independentes do corpo, tu podes mesmo assim existir, sem um corpo.
Em terceiro lugar, a tua mente e os teus pensamentos são aquilo que tu conheces melhor. Para Descartes é possível, pelo menos em princípio, existir uma mente sem um corpo, sendo incapaz, por mais que tente, de se aperceber de outras coisas, incluindo outras mentes. Descartes sabia, como é óbvio, que o modo como tomamos conhecimento daquilo que se passa na mente de outras pessoas é pela observação da fala e das ações de “outros corpos”. Mas para ele havia duas possibilidades sérias capazes de pôr em causa a nossa crença na existência de outras mentes. Uma é que os outros corpos podem ser apenas fingimentos da nossa imaginação. A outra é que, mesmo que os corpos e as outras coisas materiais existam, as provas que normalmente pensamos que justificam a nossa crença que os outros corpos são habitados por mentes pode ter sido produzida por autómatos, por máquinas sem mentes. Em quarto lugar, a essência da mente é ter pensamentos, e por “pensamentos” Descartes significa algo de que te apercebes na tua mente quando estás consciente (APPHIAH, 2008, p.1).

 

 
 

É válido mencionar que essa visão de Descartes é que baseou sua idéia de construção do mundo em sua filosofia, portanto, essa idéia também muito tem haver com a questão da descoberta, mas o grande questionamento é de que forma a construção dualista não é algo dado e sim descoberto e  de que forma Descartes descobre.

 

 

Descartes quer dizer que os pensamentos não estão em nenhum lugar. Mas, de acordo com o que ele defende, pelo menos alguns dos efeitos dos meus pensamentos estão no meu cérebro e nenhum dos efeitos diretos dos meus pensamentos estão no cérebro de outras pessoas. Normalmente os meus pensamentos levam às minhas ações e nunca levam diretamente às ações de outras pessoas. Chegamos, assim, a um problema central da posição de Descartes, já que é normal pensar que as coisas estão onde os seus efeitos se originam. (Podemos designar esta idéia como a tese causal da localização). Deste ponto de vista, os meus pensamentos estão no meu cérebro, que é a origem do meu comportamento. Mas se os eventos mentais ocorrem no cérebro, então, dado que o cérebro está no espaço, pelo menos alguns eventos mentais também existem no espaço. Assim, o modo como Descartes distingue o mental do físico não funciona. Designemos esta aparente conflito entre o fato de que a mente e a matéria parecem interagir causalmente e a afirmação de Descartes que a mente não existe no espaço o problema de Descartes (APPHIAH, 2008, p.1).”

 

 

 

 O filósofo rompe com a tradição escolástica por afirmar que o homem pode chegar ao conhecimento pelo simples fato de ser sujeito cognoscente, sem a necessidade de um ser ontológico, "pois acreditava poder encontrar muito mais verdade nos raciocínios" (DESCARTES, p. 42) e inaugura a modernidade, caracterizada pela busca do conhecimento último na racionalidade introspectiva. Em outras palavras, o sujeito busca a verdade voltando-se para si e se abstraindo das distrações e erros provocados pelos juízos prováveis e pelos sentidos.

 

 

René foi o responsável pela adaptação à mentalidade moderna das idéias dualistas de Platão, segundo a qual o corpo é radicalmente distinto da alma. Descartes começa por levantar a hipótese de que tudo o que julga saber não passe de ilusão, talvez provocada por um gênio maligno sumamente poderoso. Depois de concluir que, por mais que o engane, o gênio maligno não poderá enganá-lo se ele não existir, Descartes fica com a tarefa de reconstruir o conhecimento a partir dessa modesta base. Como fazer tal coisa? É neste passo do seu raciocínio que Descartes introduz o princípio de que do menos não pode vir o mais. Descartes raciocina que tem em si a idéia de um ser sumamente perfeito, a que chama Deus. Mas ao mesmo tempo também sabe que ele mesmo, Descartes, erra e se engana — afinal, está precisamente a admitir que o gênio maligno o poderá enganar sempre que pensa ver uma árvore, por exemplo. De modo que conclui que Deus existe porque só de Deus poderia emanar a própria idéia de Deus que Descartes descobre em si. Por quê? Porque sendo Descartes imperfeito, não poderia ter inventado por si a idéia de um ser perfeito: do menos não pode vir o mais (MURCHO,2008, p.1).

 

Essas foram às conseqüências do subjetivismo de Descartes, e a relação do cogito, pois de acordo com o presente autor “quando duvido estou vivendo um ato de pensar e quando eu penso pelo menos eu existo como um ser pensante. Penso, logo existo. Cogito Ergo Sum[2]”.

 

Na elaboração do argumento do Cogito, Descartes procede a dúvida hiperbólica, ou seja, a dúvida radical a ponto de constatar que a única certeza é pensar. O Cogito revela: a existência do pensamento puro, o que é possível pela evidência do próprio ato de pensar. No entanto, sempre que se quiser ir além desse pensamento puro, desse pensamento que no máximo pode pensar a sim mesmo, reflexivamente, se encontrará a dúvida. Isso é chamado de solipsismo cartesiano, o isolamento do eu em relação a tudo mais: ao mundo exterior e ao próprio corpo, que é um elemento externo (à mente). O solipsismo é resultado da evidência do cogito, uma certeza tão forte que exige critérios tais que não são aplicáveis a nada mais. Como já foi dito anteriormente, o objetivo de Descartes é fundamentar a possibilidade do conhecimento científico, construir as bases metodológicas para uma ciência mais sólida, mais bem-fundamentada que a tradicional.
Finalmente, o conhecimento é possível, pois ao se pensar tem-se acesso às idéias inatas que já se encontram na mente
(FONSECA, 2009, p.2).

 

 

 

Todavia, retratando um pouco a respeito de Descartes, para melhor entender sua biografia é válido ressaltar que aos 41 anos, este publicou a obra intitulada, O Discurso do Método. Esta obra apesar controvérsia da época, foi bastante lida e tornou-se conhecida por muitos.

Descartes mostra nessa obra como ele chegou as suas conclusões filosóficas. Esta tese trata do caminho que deve ser seguido na busca do conhecimento. Ter uma postura de limpeza prévia, de vigilância prévia, no sentido de eliminar todos aqueles elementos que contribui para uma visão confusa e instintiva do objeto. É proceder de modo analítico decompondo o elemento em todas as suas partes constitutivas.

Observar as regras de constituição e expressar isso de acordo como uma linguagem precisa que nos é fornecida pela matemática. Cada etapa que se entra neste processo só admita aquilo que tenha absoluta clareza e distinção. Quanto ao modo de perceber este objeto, de perceber este elemento; não esteja envolvido em nenhuma complexidade e que não haja menor possibilidade de confusão.

Para Descartes, este método pode ser aplicado em objeto material, quanto em qualquer problema. O método seria um instrumento, que bem manejado, levará o homem à verdade. Esse método consiste em aceitar apenas aquilo que é certo e irrefutável[3] e consequentemente eliminar todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controvérsias. Descartes diz:

 

Eu sempre tive um imenso desejo de aprender a distinguir o verdadeiro do falso, para ver claro nas minhas ações e caminhar com segurança nesta vida. (DESCARTES, 1983, p.33).

 

Segundo Stigar (2008, p.1), o objetivo de Descartes era de abranger numa perspectiva de conjunto, unitário e claro; todos os problemas proposto a investigação científica. O fundamento principal da filosofia cartesiana consiste na pesquisa da verdade. Isto, em relação à existência dos “objetos”, dentro de um universo de coisas reais. O método cartesiano está fundamentado do princípio de jamais acreditar em nada que não tivesse fundamento para provar a verdade.

O projeto cartesiano, esta desde o início, pautado por uma busca. Uma maneira de separar o conhecimento seguro do incerto e de uma forma de tornar sólidas nossas crenças, de modo a que possam pretender ao status do conhecimento.

Moraes na sua obra ressalta:

O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico – duvida-se de cada idéia que pode ser duvidada. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, Descartes institui a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado. Ele mesmo consegue provar a existência do próprio eu (que duvida, portanto, é sujeito de algo – cogito ergo sum, penso logo existo) e de Deus. O ato de duvidar como indubitáve[4]l. É a metafísica que vai prescrever ao cientista o que ele deve buscar qual o problema e para tanto é necessário utilizar do método da fragmentação, isto é, da redução para buscar a verdade. Também consiste o método na realização de quatro tarefas básicas: verificar se existe evidencias reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada; analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento. (MORAES,1992, p.14).

 

O objetivo de Descartes é a pesquisa de um método adaptado à conquista do saber. Ele descobre esse método que tem como objetivo, clareza e a distinção. Com isso, ele quer ser mais objetivo possível e imparcial. Ele quer fundamentar o seu pensamento em verdades claras e distintas.

Uma reflexão particularmente importante sobre o cogito é a que leva Descartes ao critério da clareza e da distinção. Refletindo sobre a primeira certeza “eu penso, eu sou”; ele reconhece assim as características que tornam esse conhecimento certo. Descartes esclarece:

Nesse primeiro conhecimento só se encontra uma clara e distinta percepção daquilo que conheço; a qual, na verdade, não seria suficiente para me assegurar de que é verdadeira se em algum momento pudesse acontecer que alguma coisa que eu concebesse tão clara e distintamente se verificasse falsa. E, portanto, parece-me que já posso estabelecer como regra geral que todas as coisas que concebemos, mui clara e mui distintamente, são todas verdadeiras. (DESCARTES, 1983, p.99).

 

Por isso, de acordo com seu método, devem ser eliminadas quaisquer influências de idéias, que muitas vezes não são verdadeiras. Mas que são tidas como mitológica. Aceitando tais mitos sem que nunca se tenha comprovado de fato. Só deve-se basear em enunciados claros e evidentes.

Essa metafísica cartesiana ou método cartesiano ressalta de que é feito e como é feito o mundo. O método cartesiano revolucionou todos os campos do pensamento de sua época. Possibilitando assim o desenvolvimento da ciência moderna e abrindo caminho para o ser humano administrar a natureza.

A realidade das idéias claras e distintas, que Descartes apresentou a partir do método da dúvida e da evidência, transformou o mundo em algo que pode ser quantificado. A partir do século XVII, a ciência, que até então, se baseava em qualidades obscuras e duvidosas tornou-se matemática. Tendo a capacidade de reduzir o universo as coisas e mecanismos mensuráveis, que a geometria pode explicar. Descartes propõe uma espécie de ceticismo para as coisas, tudo tem que ser duvidado, experimentado.

Portanto, através desse momento histórico, sendo um contexto de crítica e de recuperação das ciências matemáticas. Assim o Discurso sobre o método afirma querer inspirar o método do novo saber na clareza e no rigor típicos dos procedimentos geométricos. Descartes ressalva:

 

Essas longas cadeias de razões[5], todas simples e fáceis [6], de que os geômetras costumam servir-se para chegar às suas mais difíceis

demonstrações, haviam-me dado ocasião de imaginar que todas as coisas possíveis de cair sob o conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira e que, contando que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira qualquer que não o seja, e que guardemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode haver quaisquer tão afastadas a que não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram. (DESCARTES, 1996, p.79).

 

Descartes dividiu a realidade em Res Cogitans (consciência e mente) e Res Extensa (corpo e matéria). Trata-se de uma espécie de ponto de encontro entre dois mundos, alma e corpo. Cada qual com suas características. Para Descartes, a alma não deve ser concebida em relação com a vida. Ela é pensamento e sua separação do corpo não provoca a morte. A alma é realidade inextensa, enquanto que o corpo é extenso. Enfim, são duas realidades que nada têm em comum.

Constata-se que a transformação dos argumentos usados por Descartes gera dúvida e o pensamento de que tudo era falso. Chegou a uma verdade firme; à qual atribui o caráter de primeiro princípio, que é o cogito.

A idéia de que o cogito do discurso, responde a preocupações científicas e metodológicas, quando não tem o caráter do eu livre separando-se do ser, sem se reconciliar com ele, a não ser pela veracidade divina. Neste sentido Descartes destaca que:

Mas, se estou assim persuadido de que não há nada, nem céu, nem terra, nem espírito, nem corpos, não estou entretanto persuadido de que não existo. Eu sou, se me engano; duvido, penso, existo: essa palavra necessariamente verdadeira todas as vezes que a concebo em meu espírito. Minha existência como coisa que pensa está doravante garantida e vejo claramente que esta coisa pensante é mais fácil, enquanto tal, de conhecer do que o corpo, a cujo respeito até agora nada me certifica. Este cogito, este “eu penso”, modelo de pensamento claro e distinto, dá-me a garantia subjetiva de toda idéia clara e distinta no tempo em que a percebo. (DESCARTES, 1996, p.37).

 

Descartes acreditava que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo. Em relação à ciência, desenvolveu uma filosofia que influenciou a muitos. Isto até ser passada pela metodologia de Newton. Ele propunha, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. O vácuo é algo impossível.

Para Descartes a matéria não possuí qualidades inerentes. Mas era simplesmente o material bruto que ocupava o espaço. Descartes propunha a criação de um método para chegar a verdade científica. Pois a dúvida não pode jamais existir, tem que haver certeza. É a lógica e razão na ciência.

Porém, percebe-se que na realidade essas duas vertentes sofrem interferências constantemente. Então, como ocorre no fato que de nossos atos voluntários movem o corpo e de que as sensações, provenientes do mundo externo, se refletem sobre a alma, modificando-a. Assim adverte Descartes:

 

“Não basta que ela (a alma) seja inserida no corpo como piloto em seu navio, senão, talvez, para mover os seus membros, mas é necessário que ela seja conjugada e unida mais estreitamente com ele, para, ademais, experimentar sentimentos e apetites semelhantes aos nossos, compondo assim verdadeiro homem” (REALE E ANTISERI, 2007, p. 382).

 

Esta visão da natureza despe o mundo de suas qualidades, de sua cor e som, e, naturalmente, da mente e da vida como algo interatuando com o físico. Reduz o mundo a uma máquina. Suas mudanças e processos são produzidos e dirigidos por causas antecedentes. Precisamente como o movimento de uma bola de bilhar segue-se ao impacto do taco.

 

Mas no mundo do pensamento atuam causas totalmente diferentes. O ser humano faz certas coisas porque visa a um fim distante. O homem movido por aquilo que ainda não existe. Antes de Galileu e Descartes os homens pensavam que a natureza eram o cenário com um fim em vista, de certo modo semelhante. Algo tencionava um efeito particular. As coisas estavam se movendo para uma mente distante, ainda não realizada.

 

Agora Descartes substituía esse conceito por explicações puramente matemáticas e mecânicas (causas eficientes). Assim, abandonando totalmente influências ocultas, ou tendências nesta ou naquela direção (causas finais). Na ciência não se acolhem explicações baseadas em causas finais. Pois a matemática só admite relações mecânicas de causa e efeito.

 

O filósofo baseia o próprio discurso como dúvida, criando a dúvida metódica. Deste modo, com dedicação à pesquisa da verdade e rejeitando como falso tudo aquilo que pudesse supor a menor dúvida. A atitude filosófica de Descartes visa o uso da dúvida como um método na busca de certezas na subjetividade.

 

A função do método é buscar tais certezas. O que remete a um cuidado maior, pois a partir da subjetividade se faz filosofia e cria-se uma nova imagem de homem, a do homem moderno. Para Descartes, o sujeito moderno e de conhecimento é racional, é “cogito”. Colocando até mesmo a própria existência em dúvida.

 

A verdade “eu penso, logo existo”, se baseia na solidez e na correta sentença que, mesmo os mais céticos, não seriam capazes de lhes causar abalo. Assim, o Discurso é elucidado e o princípio propulsor do método se faz presente na clareza e na evidência.

 

Essas regras norteiam todos os juízos possíveis. Destaca-se, portanto, que o objetivo do método se fundamenta na ordenação dos pensamentos em prol de erigir juízos verdadeiros, através de um contexto. Cuja verdade da metafísica clássica causa abalo. Descartes instaura um método para alcançar a sabedoria possível. Isto com o intuito de engendrar[7] um conhecimento seguro e indubitável.

 

Dentro do contexto acima, cabe ressaltar a respeito de um importante assunto que se refere à Mathesis Universalis que é uma metaciência, a ocupar-se de metaobjetos.

 

Nesse sentido, recuperou-se a noção de ingenium no intuito de mostrar que, por estar ligada à problemática mais científica das Regulae, tal noção resignara-se a uma epistemologia, sem constituir uma metafísica, fato este que não impediria a posterior aplicação da Mathesis universalis àquele campo do saber. Toda essa discussão pressupôs como válida a apresentação material do manuscrito de Hannover, encontrado por Foucher de Careil na primeira metade do século XIX, que apresenta a discussão acerca da Mathesis Universalis desenvolvida na regra IV na forma de apêndice, o que nos fez levantar o questionamento acerca da "significação" da Mathesis universalis (SARDEIRO, 2008, p.1).

 

Esta ciência teria, para o filósofo, características independentes dos objectos a estudar. Seriam eles a quantidade (ou seja, a medida) e a ordem.  Descartes qualificava as ciências matemáticas como «ciências admiráveis».

 

 

 

Nelas valorizava a evidência dos seus pontos de partida, o método rigoroso por elas utilizado, a precisão da sua linguagem simbólica e a certeza dos seus conteúdos. Para o filósofo, as matemáticas são ciências ideais, pois o seu objeto, embora não seja pura criação do espírito, também não é constituído por realidades sensíveis e concretas. Os seres matemáticos, como a reta, o plano, o número, constituem um universo à parte, original e autônomo, que se basta a si mesmo sem necessidade de referência à realidade exterior (Descartes, 2009, p. 377-378).

 

 

Numa palavra, poderíamos dizer que o grande objetivo de Descartes era construir a filosofia à imagem da matemática.

 

 

De acordo com Chaves, Aristóteles que busca na natureza (physis) um fundamento para a principal característica que ele deu ao homem "o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade". Aristóteles apesar de direcionar suas especulações acerca do homem na política, deixando de lado a valorização do mundo das idéias não deixa de admitir a dualidade humana, para Aristóteles o homem é matéria (corpo) e alma (forma), já René Descartes, por buscar no próprio homem a característica que melhor lhe identifica vê a razão, o que melhor lhe define. Entretanto, o seu Cogito coloca a razão como fundamento existencial do homem, ou seja, o homem existe por ter consciência de sua existência (CHAVES, 1998, p. 361).

 

Tratando-se de Aristóteles é válido mencionar que a idéia de Descartes, contrapõe-se, no que se refere à dualidade humana, e assim, como se observa em Aristóteles, ao relacionar o homem a corpo e forma. Já Descartes relaciona o homem a razão, que se dá pelo contexto do conhecimento.

 

Contrapor-se a atitude realista e a atitude idealista, e é no ponto do conhecimento. No realismo o conhecimento vem, por assim dizer, das coisas para mim, a tal ponto que houve filósofos antigos (os epicuristas) que consideravam que das coisas saíam pequenas imagens — ídolos como eles as chamavam — que vinham ferir o sujeito. Pelo contrário, o idealismo considerará, preferentemente, o conhecimento como uma atividade que vai do sujeito às coisas, como uma atividade elaboradora de conceitos, ao final de cuja elaboração surge a realidade da coisa. Para o realismo a realidade da coisa é o primeiro e o conhecimento vem depois. Para o idealismo, pelo contrário, a realidade da coisa é o final, o último degrau de uma atividade do sujeito pensante que remata na construção da própria realidade das coisas.Os dois pontos de vista (o realista e o idealista) são, pois, tão diametralmente opostos que o trânsito de um para o outro é difícil e necessita, como dizíamos, uma acomodação. Por isso nestas lições devemos ir lentamente acostumando-nos a esta nova atmosfera, porque não se trata simplesmente de um repertório de doutrinas, mas principalmente de que nós, todos juntos, uns e outros, vivamos durante uns instantes essas realidades históricas que são as grandes doutrinas metafísicas sobre o ser (MORENTE, 2007, p.1).


 

CAPÍTULO 2: ANÁLISE DAS REGRAS DO DISCURSO DO MÉTODO

 

Descartes acreditava que um exemplo a ser seguido era o da matemática, pois apresentava as características necessárias de uma ciência segura e certa. Dessa forma serviria de um modelo ideal e de parâmetros para todas as demais ciências. Assim, ele, aprofundou seus conhecimentos da ciência matemática, sem dúvida inspirado também nos sucessos conquistados por Galileu, formulando a idéia do método, para criticar e avaliar as crenças e, por outro lado, para afirmar que, a partir de um conjunto de crenças seguramente verdadeiras, possa-se transmitir essa segurança, ampliando o conhecimento e criando o sistema da ciência.

Para tanto, o Filósofo elaborou o Discurso do Método em seis partes: Na primeira parte encontra diversas considerações atinentes às ciências. Na segunda, o autor buscou focalizar as principais regras do método. Na terceira, trata de algumas regras da Moral que selecionou desse método. Na quarta parte do Discurso, Descartes analisa a alma com um papel de destaque, na qual, elabora através da metafísica as provas da existência de Deus, justificando a origem de suas idéias. Na quinta, questiona a ordem das questões da física que o indagou, e, mais precisamente, a explicação do movimento do coração e outras dificuldades que diz respeito à medicina, e após também a diferença que há entre nossa alma e a dos animais. E na última, ele aborda fatos que acredita ser necessário para avançar mais adiante do que foi na pesquisa da natureza e que razões o levaram a escrever. 

 

2.1 - CONSIDERAÇÕES ATINENTES ÁS CIÊNCIAS

 

O primeiro parágrafo do Discurso do Método destaca a dificuldade do uso correto da razão, no qual o Filósofo considera que todos os homens são seres racionais.  Para Descartes essa dificuldade de opiniões se caracteriza como um sintoma de mau uso da razão, pois há o bom senso, onde cada indivíduo acredita ser provido dele, mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto, não costuma desejar possuí-lo, mais do que já possuem.

 

O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, destarte, que a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. (DESCARTES, 1996, p. 65).

 

Descartes coloca em xeque toda tradição e recorre a um método criado para bem pensar, ao contrário dos filósofos escolásticos. Ele não universaliza o conhecimento adquirido, ele questiona todas as verdades universais que levam a dúvida até o último grau e se aproxima dos céticos, mas discorda deles. O objetivo do método é claro e busca encontrar a verdade.

De acordo com Cottingham o método cartesiano se certifica na indagação sobre o erro e busca-se, por ela, a certeza matemática como fonte inspiradora de um método guiado em pesquisas. Descartes institui um método a fim de não derrubar os edifícios antigos, sem antes ter certezas sólidas.

 

Assim, o meu designo não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira me esforcei por conduzir a minha. Os que se metem a dar preceitos devem considerar-se mais hábeis do que aqueles a quem os dão; e, se falham na menor coisa, são por isso censuráreis. (DESCARTES, 1996, p. 66).

 

Para Descartes quando se tratava do agir humano em relação à ética, ele nunca questionou a ética socialmente vigente. Embora o trabalho de Descartes ficasse claramente visível uma nova postura ética mais ligada à razão natural. Ele se preocupava em mostrar que não ia contra a ordem estabelecida, que não confrontava a ética pregada pela a igreja.

Eu reverenciava a nossa Teologia e pretendia, como qualquer outro, ganhar o céu; mas, tendo aprendido, como coisa muito segura, que o seu caminho não está menos aberto aos mais ignorantes do que aos mais doutos e que as verdades reveladas que para lá tê-las à fraqueza de meus raciocínios, e pensava que, para empreender o seu exame e lograr êxito, era necessário ter alguma extraordinária assistência do céu e ser mais do que homem. (DESCARTES, 1996, p.69).

 

Ao mesmo tempo que Descartes gostava dessa cultura clássica da sua sociedade, ele se sentia insatisfeito com as verdades da época, também tinha desejo de aprender a distinguir o verdadeiro do falso. E assim manifestou:

 

Eis por que, tão logo a idade me permitiu sair da sujeição de meus preceptores, deixei inteiramente o estudo das letras. E, resolvendo-me a não mais procurar outra ciência, além daquela que se poderia achar em mim próprio, ou então no grande livro do mundo, empreguei o resto de minha mocidade em viajar, em ver cortes e exércitos, em freqüentar gentes de diversos humores e condições, em recolher diversas experiências, em provar-me a mim mesmo nos reencontros que a fortuna me propunha e, por toda a parte, em fazer tal reflexão sobre as coisas que se me apresentavam, que eu pudesse tirar delas algum proveito. (DESCARTES, 1996, p.70).

 

2.2 - ANÁLISE DOS PRINCIPAIS PRECEITOS DO MÉTODO

 

Na segunda parte do Discurso percebe-se a chegada das matemáticas árabes, possibilitando, sobretudo através da álgebra e o desenvolvimento da geometria. A chegada do mercantilismo com a suas novas exigências, com entradas em cena de pessoas empreendedoras, mercadores, navegadores, grandes comerciantes provocando o desenvolvimento das cidades, o desenvolvimento dos portos e a chegada de novas tecnologias que aumentam o poder de agir sobre a natureza, tudo isso vai configurar um cenário onde nos possibilita entendermos o surgimento do pensamento de Descartes.

A sua contribuição representa importância para a posteridade, pois, sua atitude de postura crítica, o seu jeito simplório, de que ele fala da necessidade de por as coisas em dúvida, e não aceitar nada de imediato como verdadeiro, é de relevância para o desenvolvimento da ciência.

A saber, daqueles que, crendo-se mais hábeis do que são, não podem impedir-se de precipitar seus juízos, nem ter suficiente paciência para conduzir por ordem todos os seus pensamentos: daí resulta que, se houvessem tomado uma vez a liberdade de duvidar dos princípios que aceitaram e de se apartar do caminho comum, nunca poderiam ater-se à senda[8] que é preciso tomar para ir mais direito, e permaneceriam extraviados durante toda a vida; depois, daqueles que, tendo bastante razão de distinguir o verdadeiro do falso do que alguns outros, pelos quais podem ser instruídos, devem antes contenta-se em seguir as opiniões desses outros, do que procurar por si próprios outras melhores. (DESCARTES, 1996, p. 76).

 

Portanto, Descartes resumiu seu método em quatro preceitos, onde ele explica no seu Discurso do Método.

 

O primeiro preceito relata que não se deve acolher, jamais, alguma coisa como verdadeira se não fosse provado em evidências. Dessa forma, evitava-se a precipitação e os julgamentos deveriam ser claros e distintos ao seu espírito e que não tivesse ocasião de pôr em dúvida.

 

Percebe-se que a necessidade de conhecer algo se opunha à realidade de que se têm apenas conjecturas, e aparece ao espírito de maneira mediata. Esse caráter de evidência que induz ao ato de conhecimento se caracteriza como intuição, cujas três características no cartesianismo são: ser um ato do pensamento puro, ser infalível e se aplicar a tudo o que pode ser objeto de um ato simples do pensamento.

 

No segundo preceito, destaca-se a divisão de cada uma das dificuldades que Descartes examinou de tantas formas lhe fosse possível para melhor resolvê-las.

 

No terceiro preceito é relatado sobre a condução de seus pensamentos em determinada ordem, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, até subir, pouco a pouco, ao conhecimento dos mais complexos e não os precedendo naturalmente.

 

Já no quarto preceito, tem-se que as enumerações completas e revisões gerais devem ser feitas, desde que se tenha certeza de nada omitir.

 

E como, efetivamente, ouso dizer que a exata observação desses poucos preceitos que eu escolhera me deu tal facilidade de deslindar todas as questões às quais se estendem essas duas ciências que, nos dois ou três meses que empreguei em examiná-las, tendo começado pelas mais simples e mais gerais, e constituindo cada verdade que eu achava uma regra que me servia em seguida para achar outras, não só conseguir resolver muitas que julgavam antes muito difíceis,[9] e como me pareceu também perto do fim, que podia determinar, mesmo naquelas que ignoravam, por quais meios e até onde seriam possível resolvê-las. (DESCARTES, 1996, p.80 / 81).

 

2.3 - AS REGRAS DA MORAL

 

Na terceira parte, trata-se da moral provisória, Descartes apresenta a necessidade de mecanismos como os princípios morais que dê condições para ele continuar se conduzido na vida até o final do método.

 

Assim, a fim de não permanecer irresoluto[10] em minhas ações, enquanto a razão me obrigasse a sê-lo, em meus juízos, e de não deixar de viver desde então o mais felizmente possível, formei para mim mesmo uma moral provisória, que consistia apenas em três ou quatro máximas que eu quero vos participar[11]. (DESCARTES, 1996, p.83).

 

Assim procura seguir aqueles princípios morais atribuídos aos cidadãos mais sensatos. Dessa forma estabelece três máximas para si próprio: a de estabelecer as leis e os costumes de seu país e a religião; a de manter-se seguro e determinado em qualquer decisão tomada; e a idéia de que não existe nada em nosso poder como os nossos pensamentos. Logo, decidiu utilizar toda a vida cultivando a razão para o conhecimento da verdade de acordo com o seu método.

Portanto, tais máximas baseiam-se na resolução que firmara de prosseguir se instruindo e agir bem para julgar bem, o que pressupõe que a ação em termos morais esta ligado ao sujeito pensante no uso da razão do bem julgar.

 

 

Além do que, as três máximas precedentes não se baseavam se não no meu intuito de continuar a me instruir: pois, tendo Deus concedido a cada um de nós alguma luz para discernir o verdadeiro do falso não julgaria dever contentar-me, um só momento, com as opiniões de outrem, se não me propusesse empregar o meu próprio juízo em examiná-las, quando fosse tempo;[12] e não saberia isentar-me de escrúpulos, ao segui-las, se não esperasse não perder com isso ocasião alguma de encontrar outras melhores, caso as houvesse. E. enfim, não saberia limitar os meus desejos, nem estar contente, se não tivesse trilhado um caminho pelo qual, pensando estar seguro da aquisição de todos os conhecimentos de que fosse capaz, julgava estar bem, pelo o mesmo meio, das de todos os verdadeiros bens que alguma vez viessem a estar em meu alcance; tanto mais que, não se inclinando a nossa vontade a seguir ou fugir a qualquer coisa, senão conforme o nosso entendimento lha represente como boa ou má, basta bem julgar, para bem proceder também da melhor maneira,[13] isto é, para adquirir todas as virtudes e, conjuntamente, todos os outros bens que se possam adquirir; e, quando se está certo de que é assim, não se pode deixar de ficar contente. (DESCARTES, 1996. p. 86/87).

 

 
 

2.4 - A PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA METAFÍSICA

 

Na quarta parte do Discurso, Descartes analisa a alma como papel de destaque, na qual, elabora através da metafísica as provas da existência de Deus, justificando a origem de suas idéias.

 

A razão e a fé são campos diferentes de busca. Estiveram misturadas na teologia escolástica, mas Descartes declara, em seu Discurso do método para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências, que as verdades divinas estão além dos raciocínios comuns, e é necessário assistência divina e mesmo ser mais que um simples homem para ter acesso à revelação. É nessa primeira parte do discurso do método que Descartes explicita seu descontentamento com a forma como eram conduzidos a ciência e a filosofia pelos doutos senhores de Academias e escolásticos. A atividade social era muito importante para ser considerado digno. Muitas vezes, uma pessoa já conseguia a glória independente de sua personalidade ou valor pessoal, mas sim por ocupar certo cargo importante. (DUCLÓS, 2010, p. 1).

Para Sorell, Descartes influenciou a compreensão do homem. Inicialmente, ele coloca-se em situação de dúvida,[14] rejeitando como falso tudo que tenha dúvida. A dúvida provém dos sentidos, que engana o ser. Será preciso, pois, exorcizar todos.

 

A forma que Descartes enumera gradativamente os erros dos sentidos ocorre pelas Meditações, onde mostra o erro do conhecimento sensível, os erros dos sentidos externos, que tornam uma torre quadrada, quando, na verdade, ela é redonda, ou quando uma estátua é pequena, porque vê-se de baixo, ou fazem-se ver os objetos amarelos porque tem-se icterícia[15]. Existem os erros dos sentidos internos, em que Descartes exemplifica, com relação aos amputados que sentem dores  pelas ilusões visuais e táteis.

 

Podemos inferir desta regra que o conhecimento está ligado a duas coisas, e estas devem ser necessariamente levadas em conta, estamos falando de nós enquanto agentes do conhecimento, ou seja, nós que conhecemos as coisas e também as coisas a conhecer. Mas para alcançarmos este objetivo, que é a aquisição do conhecimento, só podemos contar com quatro faculdades, o entendimento, a imaginação, os sentidos e a memória. Disto podemos deduzir que nós conhecemos os objetos que estão por conhecer por meio do entendimento, auxiliado pela imaginação, pelos sentidos e pela memória. Novamente é possível fazer um questionamento acerca do pensamento cartesiano, no que diz respeito aos sentidos. (SILVA, 2009, p. 102).

 

Ainda na quarta parte do Discurso, Descartes coloca em questão, a natureza da certeza matemática, onde os homens se equivocam ao raciocinar, mesmo em relação às mais simples matérias da geometria, cometendo aí paralogismos[16]. Ele rejeita como falsas, com direito a falhas e decisões tomadas por demonstrações.

 

Assim, porque nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, porque há homens que se equivocam ao raciocinar, mesmo no tocante às mais simples matérias de Geometria e cometem aí paralogismo, rejeitei como falsas, julgando que estava sujeito a falhar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. (DESCARTES, 1996. p. 91) 

Araújo destaca Descartes em referência às regras que parecia o abrigo de toda suspeita. Tal argumentação se refere aos erros dos matemáticos que cometem paralogismos, no qual é entendido pelo escolástico como o raciocínio errado, seja na matéria, seja na forma. Sendo todos sujeitos a esse perigo, Descartes rejeita como falsas as razões tomadas como demonstrações, que no cartesianismo significam o mesmo que para Aristóteles.

 

No processo da dúvida, do erro dos sentidos e até na confusão entre sonho e realidade, há um aumento específico. O texto do Discurso prossegue que ao pensar que tudo era falso, existia ali alguma coisa. Ao notar que se pensa, logo existe, a verdade se torna firme e certa, tanto que todas as mais intrigantes suposições dos céticos não poderiam abalar. Assim, se firma o primeiro princípio da filosofia que Descartes procurava.

 

Para Vaz a descoberta de um primeiro princípio descarta a dúvida e reorienta as questões para uma nova perspectiva. Há uma semelhança com a filosofia escolástica, que formula o primeiro princípio como ponto de partida da Metafísica e resume o princípio de não-contradição.

 

Pois, em primeiro lugar, aquilo mesmo que a pouco tomei como regra, a saber, que as coisas que concebemos mui clara e mui distintamente são todas verdadeiras, não é certo senão porque Deus[17] é o existe, e é um ser perfeito, e porque tudo que existe em nós nos vem dele. Donde se segue que as nossas idéias ou noções, sendo coisas reais, e provenientes de Deus em tudo em que são claras e distintas, só podem por isso ser verdadeiras. (DESCARTES, 1996, p. 96).

 

Descartes declara na carta-prefácio dos Principia Philosophiae, que o conhecimento das primeiras causas é o que nomeia a filosofia, sendo a procura destas primeiras causas, isto é, dos princípios. Esses princípios devem ter duas condições: a primeira é que seja claro e evidente, não podendo o homem duvidar de sua verdade e a segunda é que o conhecimento das outras coisas dependa deles, sendo conhecidos sem elas, mas, ao contrário, elas não podem ser conhecidas sem eles.

Dessa forma Sorell diz que Descartes identifica o princípio e a causa. Santo Tomás de Aquino discorre sobre essa teoria, onde o princípio é tudo aquilo que de algum modo procede. O princípio não necessita gerar o principiado, como, por exemplo, o ponto que gera a linha. Tampouco, haja distinção real entre princípio e principiado. Quando existem essas duas condições, geração e distinção real, o princípio é chamado de causa.

 

Constata-se que a transformação dos argumentos usados por Descartes gera a dúvida e o pensamento de que tudo era falso. Foi chegado a uma verdade firme, à qual atribui o caráter de primeiro princípio, que é o cogito.

 

A idéia de que o cogito do Discurso responde a preocupações científicas e metodológicas, quando não tem o caráter do eu livre separando-se do ser, sem se reconciliar com ele, a não ser pela veracidade divina.

 

 

E é evidente que não repugna menos admitir que a falsidade ou a imperfeição proceda de Deus, como tal, do que admitir que a verdade ou a perfeição procedam do nada. Mas, se não soubéssemos de modo algum que tudo quanto existe em nós de real e verdadeiro provém de um ser perfeito e infinito, por claras e distintas que fossem nossas idéias não teríamos qualquer razão que nos assegurasse que elas possuem a perfeição de serem verdadeiras[18]. (DESCARTES, 1996, p.96/97).

 

2.5 – O QUESTIONAMENTO DA ORDEM DAS QUESTÕES DA FÍSICA

 

Na quinta parte, o Filósofo relata a ordem das questões da física, que aborda sobre a ordem do mundo, da natureza, do corpo como máquina, coisa extensa e a alma racional. Também faz algumas aplicações do método as questões físicas e relativas à medicina.

 

Nesta parte Descartes usa o método visando estabelecer uma descrição que vai deste os corpos inanimados até aos homens. A princípio, pensavam-se que os seres humanos engendrados[19] por Deus não tinham alma, pois tinham somente um fogo sem luz, dando vida a matéria. Esta posição confirma que a alma é separada do corpo e que os animais não possuem alma.

 

Descartes apresenta o funcionamento do corpo humano, como o mecanismo de uma máquina, detalha o funcionamento do coração, do cérebro, dos nervos e dos músculos para explicar os movimentos do corpo. Ele recorre à entidade como espíritos animais para esclarecer os movimentos dos membros do homem, cujo argumento fortalece a idéia do cartesianismo, separando assim a alma do corpo cada qual com sua função, formando o dualismo psicofísico.

 

Explicara assaz particularmente todas essas coisas no tratado que pretendia outrora publicar[20]. E, em seguida, mostrara nele qual deve ser a estrutura dos nervos e dos músculos do corpo humano, para fazer que os espíritos animais, estando dentro, tenham a força de mover seus membros: assim como se vê que as cabeças, pouco depois de decepadas, se remexem ainda, e mordem a terra, não obstante não mais sejam animadas; quais mudanças se devem efetuar no cérebro, para causar a vigília, o sono e os sonhos; como a luz, os sons, os odores, os sabores, o calor e todas as outras qualidades dos objetos exteriores nele podem imprimir diversas idéias por intermédio dos sentidos; como a fome, a sede e as outras paixões interiores também lhe podem enviar as suas; o que deve ser nele tomado pelo senso comum,[21] onde essas idéias são acolhidas; pela memória, que as conservas,[22] e pela fantasia,[23] que as pode modificar diversamente e compor com elas outras novas, e pelo mesmo meio, distribuindo os espíritos animais nos músculos, movimentar os membros desse corpo de tão diversas maneiras, que a propósito dos objetos que se apresentam a seus sentidos, quer das paixões interiores que estão nele, que os ossos se possam mover, sem que a vontade os conduza. (DESCARTES, 1996, p.110/111).

O Filósofo não poderia ter estabelecido esta teoria se não houvesse ao mesmo tempo encontrado um lugar onde por tudo que havia banido do universo físico, qualidades, isto é, cor e outras propriedades das coisas apreendidas pelos sentidos, mentes e propósitos humanos. As mentes formavam uma classe de seres fora da natureza, e todas as qualidades (cor, etc.) são aparências e são encontradas somente nas mentes. O som em realidade consiste em vibrações físicas, o que ouvimos como sons são acontecimentos mentais. As cores, o som, o cheiro, o quente e o frio estão na mente. Nós sentimos calor, não o fogo, que é somente moléculas em movimento.

 

As regras do método que o Filósofo quer aplicar universalmente não aparecem em parte alguma de maneira mais manifesta do que no raciocínio matemático. E se quiserem comparar os procedimentos de que ele realmente lança mão em sua geometria aos preceitos do Discurso e das Regulae, não se pode deixar de notar que estas últimas reproduzem e generalizam as regras de sua técnica algébrica. Dividir a dificuldade, ir do simples ao complexo, efetuar enumerações completas, é o que observa rigorosamente o geômetra quando analisa um problema em suas incógnitas, estabelece e resolve suas equações.

 

A originalidade de Descartes consiste em ter determinados, de forma por assim dizer canônica, essas regras de manipulação que somente se esboçam em seus contemporâneos na sua aplicação particular às grandezas, e de havê-las ao mesmo tempo oposto e substituído à lógica da escola, na qual vê apenas um instrumento de retórica, inutilmente sofisticado.

 

Esta era a mais radical e influente revolução na história do pensamento desde Aristóteles a Kant. Chancelava com um tudo em ordem a ciência física e provia uma estrutura filosófica, uma visão do mundo, que explicava e justificava a cosmologia mecânica de Newton. Assegurava aos homens que a natureza era sujeita as leis e, portanto completamente sujeita a controle. Descartes estendia mesmo esta idéia mecanicista ao corpo humano, tornando um autômato, encerrando uma alma, mas em si mesmo uma máquina.

Esta foi a sua realização, mas trazia consigo um legado de quebra-cabeças filosóficos que havia de incomodar a filosofia por mais de trezentos anos, e ainda hoje não estão de modo algum solucionados.

 

Para explicar os processos físicos e orgânicos sofridos pelo ser humano, Descartes escreveu o Tratado do Homem, uma espécie de ousada antecipação da fisiologia moderna, onde ele descreve o seu pensamento a respeito de como o homem foi formado por Deus. E assim, ele esclarece que a alma se constitui numa pequena glândula, chamada pineal[24], situada no centro do cérebro.

 

Descartes então escreve: “é preciso saber que, por mais que a alma esteja conjugada com todo o corpo, entretanto há no corpo algumas  partes em que ela exerce as suas funções de modo mais específico em que todas as outras. (...) A parte do corpo em que a alma exerce imediatamente as suas funções não é, absolutamente, o coração e nem mesmo todo o cérebro, mas somente a parte interna dele, que é certa glândula muito pequena, situada em meio à sua substância e suspensa sobre o conduto através do qual os espíritos das cavidades anteriores se comunicam com os espíritos das cavidades posteriores, de modo que os seus mais leves movimentos podem mudar muito o curso dos espíritos, ao passo que, inversamente, as mínimas mudanças dos curso dos espíritos podem  levar as grandes mudanças nos movimentos dessa glândula.” (REALE E ANTISERI, 2007, p. 383/384).

 Essa questão de mente e corpo foi retomado, naturalmente com mecanismos bem diferentes, por K.R. Popper e pelo neuro-fisiólogo J.C Eccles. Para eles, a doutrina cartesiana é inextensa, mas localizada, de acordo com as conclusões de Descartes, que estabeleceu a alma ‘principalmente’ em um órgão pequeníssimo, a glândula pineal, que era movido pela alma humana. Portanto, ela agia sobre os espíritos vitais, em forma de válvula em amplificador elétrico; direcionava os movimentos dos espíritos vitais e, dessa forma, o movimento corporal. Através dessa teoria surgem duas dificuldades sérias, sendo que a mais grave das quais consistia no fato de que os espíritos vitais (que são extensos) moviam o corpo por impulsão, além disso, também, por seu turno, eram movidos por impulsão, o que era decorrência necessária da teoria cartesiana da causalidade. Mas como podia a alma sendo inextensa desempenhar algo como impulsão sobre o corpo extenso?

 

Na opinião Popper, o ponto fraco da teoria cartesiana: a concepção da causalidade como uma espécie de impulsão mecânica, mas do que a clara distinção entre os dois mundos, o mundo físico e o mundo da consciência, que Popper, por seu turno, retoma propondo, como explicação para sua interferência e ação mútua o mundo “três” ou o mundo das teorias e dos significados. E, embora tal proposta se insira em contexto muito mais refinado e com suporte teórico muito rico, talvez se possa dizer que a sua matriz mais distante é claramente cartesiana. (REALE E ANTISERI, 2007, p. 384).

 

Portanto, trata-se de um quadro complexo, com variadas análises das ações derivadas da vontade e das sensações, que são percepções, sentimentos ou emoções provocadas pelo corpo e captadas pela alma. Segundo Reale, o guia do homem, porém, não o constituem as emoções ou os sentimentos em geral, mas sim a razão, a única que pode avaliar e, portanto, induzir a acolher ou rejeitar certas emoções. A sabedoria consiste precisamente na adoção do pensamento claro e distinto como norma, tanto do pensar quanto do viver. 

 

2.6 - OS FATOS NECESSÁRIOS PARA AVANÇAR MAIS ADIANTE DO QUE FORAM NA PESQUISA DA NATUREZA.

Na última parte, Descartes disserta o caminho percorrido até chegar ao método, e a busca incessante por conhecimento sobre o mundo. Apresentou os motivos que o levou a escrever o Discurso do Método, que contribuiu bastante para sociedade científica como para a Igreja, pois, ele chegou a dois conhecimentos básicos inquestionáveis: “Penso, logo existo” e a “Extensão dos corpos”. Com base nesses dois critérios, ele reconstrói a solidez do conhecimento, resgatando a metafísica, então cumprindo o pedido do Cardeal Pierre de Bérulle e do Padre Marino Mercenne, e reconstrói a Filosofia tradicional, além disso, lança as bases da ciência moderna.

 

Inicialmente, buscou descobrir as primeiras causas, e concluiu que Deus é o princípio de todas as coisas. Após esta analise, o Filósofo examinou os primeiros e os mais ordinários efeitos de tais causalidades, encontrando facilidade de entendimento na terra, nos astros, no céu, enfim na natureza como um todo. Aprofundando um pouco mais sua tese, que o direcionaria as coisas mais complexas, abordou sobre os corpos que existem sobre a terra, os animais e os seres humanos.

 

Primeiramente, procurei encontrar em geral os princípios, ou primeiras causas, de tudo quanto existe, ou pode existir, no mundo, sem nada considerar, para tal efeito, senão Deus só, que o criou, nem tirá-las de outra parte, exceto de certas sementes de verdade que existem naturalmente em nossas almas. Depois disso, examinei quais os primeiros e os mais ordinários efeitos que se podem deduzir dessas causas: e parece-me que, por ai, encontrei céus, astros, uma terra, e mesmo, sobre a terra, água, ar, fogo, minerais e algumas outras dessas coisas que são as mais comuns de todas e as mais simples, e por conseguinte as mais fáceis de conhecer. Depois, quando quis descer às que eram mais particulares, apresentaram-se-me tão diversas, que não acreditei que fosse possível ao espírito humano distinguir as formas ou espécies de corpos que existem sobre a terra, de uma infinidade de outras que poderiam nela existir, se fosse a vontade de Deus aí colocá-las, nem, por conseqüência, torná-las de nosso uso, a não ser que se vá ao encontro das causas pelos efeitos e que se recorda a muitas experiências particulares[25]. Em decorrência disso, repassando meu espírito sobre todos os objetos que alguma vez se ofereceram aos meus sentidos, ouso dizer que não observei nenhum que não pudesse explicar assaz comodamente por meio dos princípios que achara. (DESCARTES, 1996, p. 117/118).

 

Outro ponto abordado por Descartes, nesta última parte é a possibilidade da existência de uma filosofia prática que venha dominar a natureza a partir da física, também trata sobre a medicina e sobre a aplicação do método nas ciências, visando o bem estar do sujeito, o qual teria como base a própria Filosofia.

 

Descartes aponta todos os passos para chegar ao conhecimento, escreve de forma clara e objetiva afim de que nenhuma informação fique mal entendida e que todas as pessoas pudessem usufruir de seus escritos. Apesar de seus preceptores utilizarem à língua em latim, ele preferiu escrever em francês na esperança de que aqueles que são servidos apenas de sua razão natural, completamente pura farão um melhor juízo de suas opiniões do que aqueles que confiam somente nos livros antigos. E, para aqueles que unem o bom senso ao estudo, são os que Descartes deseja para seus juízes em relação à análise de seu método.

 

 

CAPÍTULO 3: A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CARTESIANO PARA ATUALIDADE.


 

René Descartes, Filósofo, Cientista e Matemático, realizou diversas descobertas para a humanidade. Apesar da vida intelectual relativamente curta, trouxe uma série de benefícios para o campo da Filosofia e das Ciências Naturais e contribuiu para a Física, a Matemática, a Óptica, a Meteorologia e a Fisiologia.

 

Descartes proporcionou um dos grandes benefícios para a Filosofia Moderna foram os estudos na Metafísica, considerada uma das mais duradouras de suas realizações intelectuais.

 

Ele conseguiu resultados fantásticos, tanto na ciência natural, quanto na matemática pura, com a demarcação de seu método.

 

A importância de Descartes é imensa, mesmo nos dias atuais. De acordo com Aczel, Descartes elabora a máxima:Penso, logo existo!, onde há uma nova relação entre corpo e mente, através da teorização sobre a construção do conhecimento.

 

Descartes é usado diariamente, quando se localiza espacialmente um ponto, ou mesmo um móvel, no espaço. Um dos mais significativos e úteis resultados de suas várias teorizações e descobertas se baseia nas coordenadas cartesianas, muito utilizadas na atualidade.

 

As descobertas realizadas pelo Filósofo se fundamentam na história da humanidade, atualmente existe entre vários instrumentos tecnológicos, entre tantos, destaca-se a tecnologia aplicada no GPS[26].

De acordo com Aczel, essa tecnologia se destaca por três dimensões – altitude, longitude, e latitude, em que só foi possível através do Sistema de Coordenadas criado por Descartes. Esse método se fundamenta em um sistema de linhas paralelas que se entrecruzam em duas, três ou mais direções, o que permite descrever numericamente a posição de um ponto no espaço. Nesse caso, a posição do ponto, ou seja, um carro é detalhado em termos de sua latitude e longitude, traduzidas em seguida, numa localização de um mapa.

 

A invenção do Sistema de Coordenadas recebeu o nome do Filósofo, pois derivou de um projeto de Descartes, que iniciou a teoria matemática, ao unificar a álgebra com a geometria, mediante a invenção da geometria analítica. Ou seja, conectou as equações e fórmulas da álgebra com as figuras e formas da geometria. Também contribuiu nas descobertas sobre gravidade e objetos em queda, bem como em óptica[27].

 

Além do GPS, o Sistema de Coordenadas de Descartes contribuiu para outras invenções, principalmente na área da tecnologia da computação, a saber:

 

  • O pixel[28] que se caracteriza por um par de números, ou seja, pelas coordenadas horizontal e vertical;
  •  Os gráficos, diagramas e mapas de todos os tipos;
  • A fotografia digital e imagens que são enviadas por meio da internet;
  • As plantas de engenharias.

 

Contudo, o sistema de coordenadas de Descartes é visto de uma forma mais complexa. Tem-se ainda, a tecnologia da computação, assim como os vôos espaciais e a exploração de petróleo.

 

Dessa forma, percebe-se que todas as aplicações feitas através dos gráficos, formas e imagens, mesmo sobre muitas variáveis, esses dados ainda podem ser analisados, mediante o uso das coordenadas cartesianas.

 

Segundo Araújo, esse contexto engloba as informações de uma conta bancária, por exemplo, os ativos e o número de anos em que se está no emprego. Esses dados multidimensionais podem ser mapeados numa escala de muitas variáveis, através das coordenadas cartesianas e por meio de análise estatística. Vê-se como exemplo, levar o banco a decidir se deve ou não conceder o empréstimo. Portanto, a maioria das atividades praticadas na vida diária das pessoas, atualmente, é baseada na notável invenção de Descartes.

 

Segundo Cottingham, o problema do método, interessa tanto à ciência quanto à filosofia e formula novas e importantes questões gnosiológicas e metafísicas.

 

Luckesi e Passos declaram que Descartes admitia que a razão fosse um patrimônio de todo ser humano, contudo, nem sempre bem utilizado. Era fundamental construir um novo método de pensar o mundo, fundamentado na razão, que é o único caminho capaz de levar os homens a um conhecimento verdadeiro e seguro. Para Descartes, a ciência se funda sobre a experiência, mas o sujeito ativo da experiência é o homem.

 

Descartes estabelece um método que, segundo ele, resolve todos os problemas em Geometria, que pode ser dividido em três etapas, a saber:

 

- Nomear, que consiste em assumir o problema resolvido e, a partir daí, nomear todos os segmentos conhecidos e desconhecidos para a resolução do problema;

- Equacionar, que se baseia em estabelecer uma equação com variáveis.

- Construir, onde se dá a construção das soluções geometricamente, com o uso de régua e compasso. Esse método foi usado para resolver o problema de Pappus[29].

 

O Filósofo, além de iniciador da filosofia moderna, contribuiu para a geometria analítica. Buscou explicações para o arco-íris, a formação de imagens com lentes, a potência óptica da córnea, a idéia da correção das aberrações geométricas com lentes esféricas e a própria lei da refração de Snell[30]. 

 

Em sua obra intitulada Descartes and His Contemporaries, é considerada um momento critico no pensamento ocidental, pois se tinha alcançado um novo nível de consciência, onde se fazia perguntas reflexivas sobre si mesmos, sobre a consciência de um mundo externo e a relação entre mente e corpo.

 

Esse método de raciocínio de Descartes, que refletia sobre o eu na consciência humana, veio inaugurar uma nova teoria para a Psicologia Moderna, com a criação da auto-reflexão e incorporação da filosofia na psicologia moderna.

 

O Filósofo se tornou o pioneiro das investigações metafísicas e formulou hipóteses sobre a relação entre o corpo e a alma. Usou da razão e da lógica para provar a existência de Deus.

 

Descartes reconstrói a metafísica dizendo que a cadeia do pensamento e da extensão são inatas no ser - humano. Que alguma força superior deve ter dotado o homem dessas idéias.

“Agora que o mundo exista e para que o eu pensante exista, eu preciso da intervenção divina”. Dessa forma, Descartes faz apelo ao famoso argumento de Santo Anselmo, para dizer que eu sou capaz com meu pensamento de pensar no ser absolutamente perfeito, que é Deus. Eu penso em Deus. Ainda não sei se ele existe, mas sou capaz de pensá-lo, mas se ele é absolutamente perfeito como eu penso, ele tem que existir, porque se ele não existisse, ele teria uma imperfeição, ou seja, Deus garante a existência da alma e a existência do mundo.

 

Ele reconstruiu o edifício do conhecimento, através de duas direções, de um lado reconstruiu a teoria do ser baseado na substância espiritual ou divina do homem. Por outro lado, criou o conhecimento do mundo baseado na extensão, que é o conhecimento material. Descartes entendeu o homem como sendo uma máquina perfeita.

 

Descartes com o Discurso do Método lançou as bases da postura da investigação, ele não define propriamente o método técnico operacional, mas coloca aquelas condições que vão permitir a postura do cientista para estudar os fenômenos, da materialidade e expressá-lo através de uma linguagem matemática.

 

No relato de Marques toda a filosofia de Descartes se baseia na busca frenética do conhecimento humano, nos princípios dos gregos sobre o uso da geometria, ou seja, ele estabelecia um vínculo direto entre a abordagem lógica e racional com a filosofia e a matemática.

 

As diversas obras de Descartes, dos mais variados ramos do saber, estão ligados por elos invisíveis de lógica, o que mostra a verdadeira essência do Filósofo, pois, ao se tratar de um matemático, acredita-se que a aplicação de suas habilidades e métodos matemáticos se direcionou a algumas áreas de estudo do homem como: física, matemática, psicologia, botânica, biologia, medicina, etc.

 

Portanto, cabe ressaltar considerações a respeito do posicionamento de Hegel à respeito de Descartes como sendo o primeiro filósofo moderno.

 

 

Sabe-se que Hegel tece uma crítica alegando a impossibilidade de um dualismo na compreensão do conhecimento. Sua crítica ao dualismo moderno se dá pelo fato de considerar que o sujeito e o objeto não podem se separar. Isso porque para que o sujeito fale sobre o objeto com o qual ele se relaciona é preciso que o mesmo use de argumentos verdadeiros, ou seja, a verdade precisa estar presente em si mesmo. Se a verdade é um todo, obrigatoriamente o homem, ao argumentar a respeito de algo, deve estar nela. Qualquer argumento levantado fora da verdade é falso. Assim, é imprescindível a união entre o sujeito e a verdade sobre a qual ele fala, estabelecendo esta relação de unidade (MARTINS FILHO, 2009, p. 1).

 

No contexto acima, observa-se que Hegel relaciona toda sua crítica dualista a sujeito/objeto, tendo em vista que os mesmos interligam-se a verdade, esta que não se separa do absoluto e vice-versa, que para Hegel são a mesma coisa.

 

Descartes de acordo com Hegel é considerado o primeiro filósofo "moderno". A sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou o seu desenvolvimento. Descartes criou, em suas obras o Discurso sobre o método e Meditações - ambas escritas no vernáculo, ao invés do latim tradicional dos trabalhos de filosofia - as bases da ciência contemporânea (NICOLA, 2008, p.1).

 

Através dessa obra a respeito dos métodos, é que amplia-nos o verdadeiro pensamento de Descartes, tendo em vista que, para o presente autor, Deus deve ser aquele que passa pela história, e nela se revela, e por esse motivo é que a todo momento Hegel busca responder determinados questionamentos para melhor compreensão desse método de Descartes.


 

Conforme Figueiredo, e segundo aspecto da interpretação de Hegel. Descartes aparece nas Lições como tendo sido o primeiro a explicitar a ruptura que os tempos modernos representam na história da filosofia. Como nos diz Hegel, Descartes “parte da idéia de que toda pressuposição deve ser posta de lado, de que o pensamento tem de começar de si mesmo; toda filosofia transcorrida até aqui, sobretudo a proveniente da autoridade da igreja, foi, assim, colocada em segundo plano” (Werke, XX, 126). À primeira vista, o significado da prioridade conferida a Descartes é trivial e mesmo incontestável. Por ela se explica o costume de privilegiar o cartesianismo nas aulas de introdução à filosofia moderna. Mas já neste nível de aparente consenso, não é pouco o que se decide. Ao declarar Descartes emblemático de uma modernidade que não se resume a ele, mas cujo sentido ele foi o primeiro a exprimir no plano especulativo, Hegel supõe que, em pleno século XVII, religião, ciência e filosofia possam remeter a planos de reflexão distintos entre si. Daí porque ele nos apresente o advento da modernidade a partir do tripé formado por Lutero, Galileu e Descartes: a Reforma, a ciência moderna da natureza e a filosofia do cogito põem em primeiro plano a faculdade de reflexão, elemento de ruptura com a escolástica e, mais remotamente, com a antigüidade. Porém, a precisão que os contornos do quadro assim traçado não deve nos fazer perder de vista que a paisagem, aqui, exprime, possivelmente, um ponto de vista retrospectivo (FIGUEIREDO, 2011, p.21-22).

 

 

Entende-se que tal posicionamento de Hegel em relação ao método cartesiano, mostra o quanto à filosofia de Descartes está em Hegel. E ainda, pressupondo que a filosofia não é uma ciência, sendo uma reflexão crítica da intuição intelectual, como primeiro plano da faculdade de reflexão.

 

Hegel em seu pensamento ainda ressalta que, os que afirmam a existência de uma dualidade entre o absoluto e a parte estão altamente equivocados.

 

Sabe-se que há poucos problemas realmente novos na Filosofia, e o Solipsismo não é um deles, no entanto, está no rol das questões cujas abordagens até um certo período podem ser desprezadas. É certo que os Céticos gregos antigos se depararam com o problema, sendo que o Solipsismo é nada menos que o resultado terminal de um Ceticismo radical e inegociável, ocorreu também aos medievais esbarrões no mesmo, mas ninguém, em especial estes últimos, parecem ter trazido o problema mais à tona do que Descartes.

 

Em seu Discurso do Método e em suas Meditações, Descartes promove uma viagem ao princípio fundamental da certeza, e tal como já prenunciara Agostinho, conclui pela certeza indubitável da existência de um elemento básico para toda a realidade, um substrato sensível e pensante, um Eu, ou como dizia Agostinho, uma Mente (VALERIO, 2004,p. 6).

 

 

É válido mencionar que na elaboração do argumento do Cogito, Descartes procede a dúvida hiperbólica, ou seja, a dúvida radical a ponto de constatar que a única certeza é pensar. O Cogito revela: a existência do pensamento puro, o que é possível pela evidência do próprio ato de pensar. No entanto, sempre que se quiser ir além desse pensamento puro, desse pensamento que no máximo pode pensar a sim mesmo, reflexivamente, se encontrará a dúvida. Isso é chamado de solipsismo cartesiano, o isolamento do eu em relação a tudo mais: ao mundo exterior e ao próprio corpo, que é um elemento externo (à mente). O solipsismo é resultado da evidência do cogito, uma certeza tão forte que exige critérios tais que não são aplicáveis a nada mais (FONSECA, 2009, p.1).

 

Como já foi dito anteriormente, o objetivo de Descartes é fundamentar a possibilidade do conhecimento científico, construir as bases metodológicas para uma ciência mais sólida, mais bem-fundamentada que a tradicional.

 

Com o surgimento da nova física moderna, de Kepler, Copérnico e Galileu, o aristotelismo cai por terra, com a prova de que é a Terra que gira em torno do Sol, e não o contrário. Apenas a causa eficiente vai permanecer na filosofia moderna, e se tornar a lei da causalidade. Na causa eficiente deve haver tanta ou mais realidade que o efeito (conforme explicado por Descartes no início da 3ª meditação), e causa e o efeito devem ser da mesma natureza. E Descartes vai declarar viva apenas três substâncias: a extensa, o pensamento, e a divina (DUCLÓS, 1999, p.1).

 

Descartes concluiu assim que aquilo que pensa (o sujeito) é alguma coisa diferente daquilo que é pensado (o objeto). O raciocínio de Descartes, ao mostrar a autonomia do pensamento, permitiu o desenvolvimento de toda a filosofia que lhe sucedeu. A filosofia cartesiana é chamada de racionalismo e essa separação entre sujeito e objeto do pensamento deu origem ao que chamamos de filosofia moderna. (STRECKER, 1979, p. 88-89).

 

Sujeito e consciência encontram-se relacionado nas mais diferentes filosofias. Mas, mesmo reconhecendo que tal se dá, não encontramos uma teoria geral sobre sujeito e consciência: temos pois, mais problemas. Descartes é considerado o teórico do sujeito moderno, sujeito que teria acesso privilegiado da consciência a si-mesma por meio da reflexão solitária que chega ao cogito. Um texto privilegiado para estudar o sujeito cartesiano são as Meditações Metafísicas (PITTERI, 2011, p.1).

 

Com toda essa reviravolta no que até então era considerado certo, e que servia de base para a educação do europeu, Descartes resolve abandonar esse ensino, e procurar a verdade no Grande Livro do Mundo. Depois de duvidar de tudo que tinha aprendido, encontrava-se nas trevas, sozinho.

 

Na verdade Descartes precisava de um método para recomeçar a construir o caminho do conhecimento, ou pelo menos as bases dele. O método dá origem a um  problema fundamental da filosofia moderna: o sujeito do conhecimento. Esse sujeito serve para controlar a razão nos ditames do conhecimento. A base de toda descoberta é um axioma tirado por intuição intelectual, mas para ir além dele se deve usar da dedução com Descartes, o sujeito deve buscar, através da razão, melhorar suas características para buscar o conhecimento verdadeiro. O entendimento é o único capaz de conhecer, mas é auxiliado nessa tarefa pela memória e imaginação (DUCLÓS, 1999, p.1).

 

Algumas críticas feitas a Descartes seria de que o sujeito seria solipsista sem possibilidade de acesso às outras mentes; de que haveria uma dualidade de substâncias (res extensa e res cogitans); de que o ceticismo assumido inicialmente por Descartes jamais foi totalmente descartado; de que o "eu penso, eu sou" não é uma proposição, pois é  incorrigível, o sujeito se predica a si mesmo na verdade absoluta e não permite falseamento (PITTERI, 2011, p.1).

 


CONCLUSÃO


 

Concluiu-se que a demarcação do método cartesiano trouxe uma grande evolução para a história da humanidade.

Seu pensamento se mostrou de alto padrão intelectual e complexo, onde toda a filosofia moderna e contemporânea se reporta.

O livro “O Discurso do Método” elevou René Descartes a “ pai da filosofia moderna”. Toda a sua filosofia cartesiana se baseia no uso de um método de raciocínio, caracterizado como "dúvida metódica".

Para o filósofo, Deus, mente e matéria eram idéias inatas e impossíveis de separá-las das experiências sensórias vividas nesse mundo. Descartes utilizava seu método para alcançar a verdade, sem prevenção de descobrir multiplicidade de verdades isoladas.

Para Descartes, a filosofia atingia um conhecimento sem comparações de todos os saberes que o homem pode chegar a conhecer ou compreender. Ele dava ênfase aos aspectos práticos da filosofia e se desligava totalmente do passado, o que o iniciou na busca da verdade e no principio de todo o conhecimento.

Por meio dessa pesquisa identificam-se quatro elementos principais na demarcação cartesiana.

O primeiro elemento seria a questão do método, síntese da filosofia e a ciência cartesiana, em que se postulam a metafísica.

No segundo aspecto, destacam-se a teoria da criação das verdades eternas por Deus e a teoria da criação continuada, onde há a primeira formulação metafísica do filósofo.

O terceiro elemento visualiza-se a metafísica sistemática por meio da dúvida, ponto de partida, ao cogito, primeira certeza. Esses dois aspectos estão em perspectiva quanto a questão Deus.

O último elemento analisa as questões divinas, através da identificação do eu e das idéias do homem e de Deus. Por meio das provas de sua existência, e o principio da causalidade e as acusações que Descartes recebe, ao incorrer em círculo e em ateísmo.

Percebemos que no final do Renascimento, no século XVII, a Europa passava por profundas transformações, um período em que se desenvolvia uma crítica amadurecida ao período metafísico escolástico que se baseava na transcendência em busca de explicações.

Notamos que o trabalho de Descartes deixa claro e visível uma nova postura ética mais ligada à razão natural. No entanto, ele se preocupava em demonstrar que não contrariava a ordem estabelecida, que não confrontava a ética pregada pela a Igreja.

O Método Cartesiano que ele propõe é um método de construir o objeto. Então percebemos que quando estamos decompondo e recompondo nós estamos exatamente construindo. Portanto a implicação disso, a decorrência desta postura para a educação é justamente essa, se educa a mente do educando, a mente do aprendiz, praticando o método científico.

 

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[1] Nunciatura Apostólica é um alto nível das missões diplomáticas da Santa Sé, equivalente a uma embaixada. Seu titular, o núncio apostólico, é, portanto, como um embaixador da Santa Sé no país a que foi designado.
 
[2] A palavra Cogito a expressão cartesiana “Cogito ergo sum” (Discours, IV; Méd. , II, 6), que imprime a auto-evidência existencial do sujeito pensante, isto é, a certeza que o sujeito pensante tem da sua existência com tal. 
[3] Adj. que não pode ser refutável; evidente, incontestável: testemunho irrefutável.
[4] Adj. de que não se pode duvidar; certo.
[5] Por razões, deve-se entender “proporções”. A ciência cartesiana é uma teoria das proporções: multiplicação, divisão e extração de raiz são três meios de construção de uma quarta proporcional, o grau de uma equação é definido pelo número de proporções requeridas entre duas quantidades, seu gênero pelo número mínimo dessas proporções – em geral, uma proporção contínua é o modelo da ordem. Uma série como 3/6 = 6/12 = 12/24 mostra-nos de que maneira estão envolvidas todas as questões referentes às proporções ou razões das coisas e me que ordem devem ser procuradas: o que por si só constitui o essencial de toda ciência da matemática pura. (Reg. A. T. X, pág. 385).
[6] Vuillemin observa que “simples” e “fácil” não são sinônimos. “É fácil o que é simples segundo nós e, por assim dizer, do ponto de vista psicológico. É simples o que é primeiro pela ordem das coisas”. ( Op. Cit. pág. 118) O raciocínio mais fácil (pedagógica e sinteticamente) nem sempre é o mais simples (segundo a ordem e analiticamente). 
[7] Gerar, inventar, produzir, imaginar. / Causar, formar, produzir.
[8] S.f. Caminho estreito; atalho, vereda.
[9] Segundo G. Milhaud (Descartes Savant), alusão à solução dos problemas dos sólidos do terceiro e quarto graus por meio da interseção de um círculo e de uma parábola. Milhaud mostra, a este propósito, o quanto Descartes, em 1620, é ainda o continuador da geometria grega. O método que Descartes sistematiza para as equações do terceiro e quarto graus, ponto de partida do que será denominado mais tarde “Geometria Analítica”. Descartes não toma, pois, aos gregos o método analítico como procedimento lógico, mas ante o próprio conteúdo desta análise, e seu gênio consiste mais em explorar os recursos de um processo já utilizado do que em “descobrir” este processo. Tanto é que Descartes nunca se vangloriou da Geometria Analítica.
[10] Sobre a irresolução como o pior dos males, cf. Paixões, art.60, e cartas, a Elisabeth, de 1º de setembro de 1645.
[11] Col. Com Burman, A. T. VI, 552: “O autor não gosta de escrever sobre a Moral, mas viu-se forçado, por causa dos pedantes e gente desta espécie, a adicionar estas regras; de outro modo, diriam dele que se trata de um homem sem religião, sem fé, e que, com o seu método, quer derrubar tudo isso”.
[12] Isto é: elas só se justificam como condições provisórias da busca da verdade.
[13] As duas fórmulas não são equivalentes. No primeiro caso, o entendimento esclarecido por idéias claras e distintas compele a vontade; no segundo, não estando assegurada a verdade do juízo, eu deveria envidar esforço para seguir sempre o que o entendimento me representa como o melhor.
[14] Está, portanto, sujeito a dúvida não só aquilo de que eu duvido de fato, mas também aquilo de que eu poderia duvidar de direito.
[15] S.f Coloração amarela da pele, originada pela a presença de pigmentos biliares no sangue e nos tecidos: as doenças do fígado provocam muitas vezes icterícia.
[16] Raciocínio falso, feito de boa fé por falta do consciência de sua falsidade
[17] Deus é agora considerado como o meu Criador que me mantém no ser e não mais como o autor da idéia de Deus em mim existente.
[18] Somente após a prova da existência de um Deus perfeito (logo, e mutável não enganador – portanto garante das idéias claras e distintas), é que a regra da evidência e as outras verdades anteriores descobertas podem ser colocadas como verdadeiras. Antes disso, gozam apenas de uma certeza subjetiva, verdadeiras só quando penso nelas efetivamente.
[19] Inventado, causado, formado e produzido.
[20] O Tratado do Homem.
[21] A sede do “senso comum” é a glândula pineal (cf. Tratado das Paixões, I, arts. 31-32).
[22] Sobre a explicação da memória corporal (distinta da memória intelectual, cf. Cartas, a Mersenne, de 1 de abril de 1640), v. A. T. XI, pág. 177: os espíritos animais, que receberam a impressão de uma idéia sensível, ao saírem da glândula pineal, traçam na parte interior do cérebro figuras que se reportam às dos objetos. Por meio destas figuras, as idéias sensíveis podem tornar a formar-se “sem que a presença dos objetos aos quais se referem seja requerida. E é nisso que consiste a memória”.
[23] A “fantasia” ocupa o mesmo lugar no cérebro que o “senso comum”, mas quando as imagens são aí suscitadas na ausência de todo objeto.
[24] Estrutura situada no mesencéfalo.
[25] As experiências particulares “instituídas expressamente com o fito de saber o que é preciso deduzir” (Gilson) só aparece, portanto no terceiro estádio. E inútil insisti sobre o caráter dedutivo desta Física: basta que uma “suposição” não contradiga a experiência e que a dedução seja feita “consequentemente” para que ela seja acolhida. Mas Descartes insiste alhures no aspecto racional que suas “hipóteses” oferecem em face das “fantasias” da Escola. Entre as duas Físicas, é fácil efetuar a separação: “É suficiente provar qual é a verdadeira causa de certos efeitos para dar-lhes uma de que possam claramente ser deduzidas; e pretendo que todos os efeitos de que falei pertencem a este número”. (A Morin, 13 de julho de 1638).
[26] Os aparelhos equipados com GPS (Sistema de Posicionamento Global), que permitem localizar algo ou alguém em qualquer lugar do mundo, tornaram-se tão comuns que já começam a fazer parte do nosso cotidiano.
 
[27] Parte da Física que trata das propriedades da luz e da visão.
[28] A palavra pixel é vem da aglomeração de ‘picture element’, ou seja, o elemento da imagem. Ao visualizarmos uma imagem com alto índice de aproximação, ou observando uma tela de LCD / Plasma (talvez não uma com esses novos nanopixels!) com uma lupa, é possível a identificação de pequenos quadrados coloridos nela, que, somados, formam o desenho completo. Esses pontos, que são a menor parte de uma imagem, levam o nome de pixels.
 
[29] Pappus de Alexandria foi um grande geômetra grego. Autor de uma obra muito importante: A Coleção de Pappus, em oito volumes. 
[30] se resume a uma expressão que dá o desvio angular sofrido por um raio de luz ao passar para um meio com índice de refração diferente do qual ele estava percorrendo. Noutras palavras, descrive a relação entre os ângulos de incidência e refração, quando referindo-se a luz ou outras ondas passando através de uma fronteira (interface) entre dois diferentes meios isotrópicos, tais como água e vidro.
 

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